Longe de instigar um debate acerca do slogan “Não dê esmolas, dê futuro”, mas são experiências como essa que precisam ser compartilhadas.
Sabe aquelas pessoas que expõem um tipo de arte circense no semáforo em troca de esmolas? Esmolas? Você pensa que são esmolas.
Pois então... diante da Campanha “Não dê esmolas, dê futuro”, a atitude daquelas pessoas, me intrigava de uma forma eufórica: tinha grande curiosidade de perguntar à elas, o porquê – já que o circo Tihany estava na cidade a mais de mês – não procurar emprego no circo.
Pare agora de se perguntar por que eu não o fiz. Porque eu fiz! Não venha me dizer que você nunca sentiu medo das pessoas que pedem esmolas no sinal. “Vai que elas sacam uma arma e mandam você descer!”. Eu também tenho um certo medo... Até o ponto de que foi preciso analisar “a cara” de cada um. Não era um julgamento! Era uma análise.
Analisei tão precisamente que comecei a ficar com medo, digo, mais medo: em sinais diferentes, lugares diferentes, em dias diferentes, eu encontrava a mesma dupla. ÓH! Na teoria é lindo saber o quão difícil e/ou inoportuno é o julgamento que fazemos sobre os homens. Acho que por isso decidi não julgar e parar de pensar na morte. Rs
Numa gota de suor, a um passo de distância, perguntei: “Por que você não vai arrumar um emprego no circo?” Não sei vocês, mas eu fui surpreendida com a resposta: “Porque o circo não me oferece a liberdade da rua, com um salário de aproximadamente 1 500,00 (mil e quinhentos reais) por mês." (Quase um hashtag – beijo no ombro).
Caros leitores, circos em grandes estruturas como o Tihany, remuneram seus funcionários, dependendo de sua função, com até 15 000,00 (quinze mil reais). Mas acalme-se! Estudar é tão difícil quanto se equilibrar em uma bicicleta, sobre uma corda, à cinco metros de altura.
E aí viria a minha indignação se alguém tivesse a desumanização de impedir aquele trabalho. Jamais quero excluir àqueles que estão ali, nas cores vermelha, amarela e verde, sem nem saber conversar direito. Dá para polemizar muito o assunto de não dar esmolas. Mas, você acha que essa não é uma forma digna de trabalho?
Digno mesmo é estar sentado dentro um carro blindado, em Moema (SP - Capital), com um rolex no braço, depois de um dia exaustivo de trabalho. Isso não “suja” as ruas com pessoas pedindo esmolas. (Detalhe: tráfico)
Mas o ponto principal do meu dia foi que, antes de parar naquele sinal, eu estava com a mente poluída de pensamentos que estavam prestes a se tornar problemas. Problemas que nós seres humanos, criamos no impasse de não confiar. (Imaginem ateus, esse é um texto totalmente laico).
Enfim... aquelas pessoas ganhavam “esmolas”, (que graças a Deus estão entre aspas), alegrando o dia de ingratos como eu. Isso mesmo: eu, que sem nem estar na tpm (não sofro disso, jamais) comecei a cantar mentalmente com eles: “Parabéns pra você, nesta data querida...”. De quem é o aniversário? Não sei. Mas quando dei por mim, estava cantando alto e sorrindo.
Pessoas que eu nunca vi - já até senti medo - com apenas um violão, um apito, uma perna de pau, e um swing poi, cantando!, fizeram do resto do meu dia, muito mais feliz.
Obs. infeliz: eu não tinha 5 centavos se quer, alcançáveis, que eu pudesse lhes entregar.
Por: Amanda Fracarolli
Nenhum comentário:
Postar um comentário