quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Menestrel - William Shakespeare

     Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

     Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
     Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
     Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
   E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
     Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
     E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
     E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
     E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
     Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
    Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
    Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
    Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
    Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
     Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
    Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
     Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
     Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
     Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
     Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
     Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
    Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
    Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
   E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rio De Janeiro. Dias de hoje.

    Pode até parecer clichê de filme americano, mas é na hora da morte que a gente entende a vida. Eu dei muita porrada em muita gente, esculachei com os policias corruptos, levei um monte de vagabundo pra vala. Mas não foi nada pessoal.
    A vida me preparou pra isso. E missão dada parceiro, é missão cumprida.
    Eu tentei salvar minha família, colocando um cara confiável no meu lugar. Não deu certo e eu voltei. Eu comandava o tráfico no morro da formiga, e se não tivesse sido o que aconteceu com meus parças, eu não tinha ido pra penitenciária do “Bangu” – primeiro presídio de segurança máxima.
    É lá que iam parar os chefões do tráfico. Os caras que a polícia pegava e não executava, iam presos. Cada comando ficava numa área isolada. Se deixasse misturar, os vagabundos se matavam. Sabe o que eles faziam lá dentro ? O mesmo que faziam aqui fora: viviam em guerra disputando o controle do tráfico da cidade. Por mim, o certo era fechar a porta e jogar a chave fora, e deixar os caras se estrucidarem lá dentro. 
    Eu estava decidido a não experimentar a droga, eu só queria sustentar minha família. Eu ganhava sim com as vendas, e além disso, não pagava o preço do vício. Ai fui preso, e virei viciado.
    E graças a Deus, tem muito intelectualzinho de Esquerda, que vive defendendo vagabundo. E eles fazem a cabeça de muita gente. “Prisão hoje é um lugar extremamente caro, pra tornar as pessoas piores. Em 1996, a população carcerária era de 148 mil presos. Hoje, 15 anos depois, a população carcerária é de mais de 400 mil presos.”
    O Rio de Janeiro hoje, está loteado em 3 facções criminosas, que estão em constante conflito. E “Bangu”, é exatamente a mesma coisa. 3 facções criminosas, alimentando ainda mais o ódio e a rivalidade. Um bando de miseráveis, que não tiveram chance de educação. Que não tiveram chance nenhuma na vida. Trancados e esquecidos nas piores condições inimagináveis. E sendo controlados por uma polícia com fortes tendência a corrupção.
    Ainda tem gente que abre a boca, pra dizer que o Brasil é o país da impunidade. Pode até ser, pra um determinado setor na comunidade. Porque para os demais, pras classes subalternas, pros meros mortais, o bicho pega. Eu digo isso, porque sou vítima disso tudo.
    Ai rolou uma carnificina, e os mais casca grossa do comando vermelho, foram exterminados. E o que rolou, foi que o Cara dos Direitos Humanos, tava sujando a imagem do comando. Mesmo eu tendo que estar do lado dos Direitos Humanos, eu queria mais era um comando forte. Porque eu já não via a hora de sair dali. E sabe o que o governo queria fazer ? Dar chance pros manés, entrar de novo nas comunidades, matando, extrucidando... e  eu só queria sair dali. A cidade ia virar uma enorme mancha vermelha, poça de sangue. E eu estava incluso nessa.
    O que aconteceu, foi que o comandante da secretaria de segurança pública, tava transformando o comando numa máquina de guerra. E o extermínio ia começar.
    Pra certas pessoas, a guerra é a cura. A guerra funciona como uma válvula de descarga. A pressão ta grande em casa; a solução é ir pra rua. E eu fui sempre assim. E pra eles, um tráfico fora da jogada, a farra dos corruptos iria acabar. Quanto menos cocaína e maconha chegassem nas bocas, menos o tráfico ia faturar. Se os vagabundos quebrassem, os corruptos quebrariam também. E ai, ia fuder o sistema.
    Eu tenho uma vida pra seguir, uma família pra criar. Meus filhos acham que eu sou um traficante vagabundo viciado. E foi mesmo o que comecei a sofrer. Eu tinha que ficar deprimido com isso tudo. Mas “algo” me fazia ter estima. 
    Tinha um plano: numa dessas entradas policias no presídio, sair massacrando e fugir. O que em teoria, eu e vários outros, achávamos que daria certo. Só que na prática deu tudo errado. O que aconteceu de verdade, foi bem diferente do que eu planejei. 
    Me livrei de Bangu, e voltei ativa no meu beco.
    Nada como uma crise econômica pra aguçar a criatividade. Foi só cortar o arrego do tráfico, que os corruptos perceberam o óbvio. Qualquer comunidade pobre do Rio de Janeiro, é muito mais do que um ponto de venda de drogas. Toda favela é um mercado poderoso de muita coisa comprada e vendida. Em quatro anos, o sistema tomou conta de quase toda zona oeste do Rio de Janeiro. Antes, os policiais invadiam, e os traficantes voltavam. Só que quando os corruptos começaram ocupar as favelas, os traficantes não voltavam mais.
    Por um bom tempo eu pensei que o sistema tava ajudando o comando, só que na verdade, era o comando que tava ajudando o sistema.
    Estava criado um monstro que iria engolir a todos. Milícia é máfia. Um verdadeiro crime organizado. Antes, os políticos usavam o sistema pra ganhar dinheiro. Agora, eles dependiam do sistema pra se eleger. O voto é a mercadoria mais valiosa da favela.
    A milícia tinha tanta certeza que o governo ia expulsar os traficantes do tanque, que já tava até recrutando gente pra impedir que eles voltassem. E de novo, o comando ia invadir o morro. Pra tomar o tanque, só fazendo uma mega operação. Mas isso o governador não queria, porque ano de eleição, não pode morrer inocente.
    E eu sobrevivi a mais uma invasão. Pior, em meio a bala perdida, acabei matando minha mulher. E descobri que a secretaria de segurança, era o coração do sistema. A segurança pública do estado do Rio de Janeiro estava nas mãos de bandidos. E minha honestidade com o tráfico e o contrabando, já não me faziam confiar em ninguém.
    Não tive chance nem escolha: ou eu entrava pro tráfico, ou eu morria de fome. Então eu percebi, que as vezes o sistema nos acerta onde mais dói: tive meu filho ferido, morto. Onde a bola da vez, era eu.
    Eu não tinha mais alternativa: eu tinha que bater de frente com o sistema. Eu tava disposto a matar todo mundo, queria fazer juz com as minhas próprias mãos. E eu sabia que o sistema era um mecanismo impessoal. Com articulação de interesses escrotos. 
    Fui pego de surpresa, mas dessa vez, eu não estava sozinho. Os filhas da puta escaparam, mas a minha guerra contra o sistema, tava só começando. Agora era pessoal, e eu ia continuar lutando, só que de um jeito diferente.
    Já que além de traficante, eu estava envolvido no sistema, fui obrigado a depor. Abriram uma CPI em época de eleição e os partidários opostos, já estavam contra, com o argumento de que ia virar campanha eleitoral.
    Meu nome é Roberto Braga Silveira, comandei o maior tráfico da zona oeste do Rio de Janeiro. Me dediquei 15 anos da minha vida, a única e exclusiva função de sustentar minha família, e não deixar que meus filhos virassem um ser humano como eu. Vou dizer uma coisa que não é fácil, mais é verdade, é que de fato a PM do Rio tem que acabar. Quando o meu filho tinha 10 anos, ele me perguntou porque que o meu trabalho era tão perigoso. Meu filho Rafael, que está sepultado na favela do morro da formiga, vítima de um tiro de pistola. E eu não sei responder a pergunta dele. Eu tenho 15 anos de tráfico, e não sei dizer a ele, porque que é que eu optei por isso, ao invés de uma vida digna. Sendo que eu considerava a minha, digna. Mas o que eu posso afirmar com certeza, é que o tráfico, não puxa esse gatilho sozinho. Metade dos partidários aqui, deveriam estar na cadeia. Metade é pouco. De ficha limpa, poucos são. Deputados chefes das maiores organizações criminosas da cidade. Com parceria do ex secretário de segurança, um dos piores bandidos. 
    Eu fui pra CPI, pra detona o sistema. Eu fui lá pra falar a verdade, dizer o que eu tava sentindo. Contei tudo o que eu sabia, reconheci meus erros. E falei por mais de 3 horas. 
    Dei porrada em muita gente, coloquei muito político corrupto na cadeia. Por causa do meu discurso, teve filho da puta que foi pra vala muito antes do que esperava. Foi a maior queima de arquivos da história do Rio de Janeiro. Mesmo assim, o sistema continuava de pé. O sistema entrega a mão pra salvar o braço. O sistema se reorganiza e articula novos interesses. Cria novas lideranças. 
    Enquanto as condições de existência do sistema estiverem presentes, ele vai existir. 
    Agora me responde alguma coisa, quem você acha que sustenta tudo isso ? 
    É, e custa caro. Muito caro. O sistema é muito maior do que eu pensava. Não é atoa que os traficantes, policiais e miliciantes, matam tanta gente nas favelas. Não é atoa que existem as favelas. Não é atoa que acontece tanto escândalo em Brasília, que entra governo, sai governo, e a corrupção continua. Pra mudar as coisas, vai muito tempo. O sistema é foda, ainda vai morrer muito maçante. 
    “Aqui jaz sepultado Roberto B. Silveira, 21 de maio de 2011.” Viciado, morreu com efeitos de uma parada cardíaca.                                                                                                                            'A.F.

Bob Marley

Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar. Por isso não devemos chorar pelo que foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre.

sábado, 7 de maio de 2011

A pessoa errada

     A pessoa errada te faz perder a cabeça, a pessoa errada te faz perder a hora, a pessoa errada te faz morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, pois na hora que vocês se encontrarem, a entrega vai ser muito mais verdadeira. A pessoa errada, é aquilo que a gente chama de certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois, vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono. Talvez, ela te magoe, mas depois, vai te enxer de mimos, pedindo seu perdão. Talvez ela não esteja 100% do tempo ao seu lado, mas estará 100% da vida dela, esperando por você. Estará o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. 
Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 28 de março de 2011

Uma das soluções: amor

     O mundo vive tanto desamor, indiferença e sacanagem, que o afeto será sempre bem-vindo, qualquer que seja a sua forma. Não falo apenas do amor romântico, aquele que acontece entre duas pessoas. Falo do amor que flui o tempo todo, em todas as direções, a qualquer hora. Isso é o que está faltando. Todos podem ser uma fonte de amor. Sendo amorosos com cada pessoa, amorosos em tudo o que faz, só o amor dá segurança. Só o amor tem razão. O amor aproxima as coisas mais distantes, ele vence o tempo, o espaço e o amor universal é a única saída. Há muitas famílias que vivem em seus lares como se tivessem numa espécie de redoma, vendo o mundo externo como uma ameaça. E o resultado disso, é que encontramos pessoas bastante desconfiadas, sem nenhum senso de cooperação social... Toda renúncia, entrega de si, toda dedicação operosa, todo devotamento para eles parece perda ou atitude inútil. O interesse individual passou a ser de ordem suprema. Na busca da autenticidade, muitos conceitos vão sendo questionados. Cada um desenvolve as suas próprias idéias, querendo que o outro se comporte de acordo com elas. Você espera receber aquilo que precisa e esquece que a natureza do amor está exatamente no oposto: no interesse puro de ajudar no crescimento alheio, no desejo de participar na construção de um mundo melhor. Sem amor para consigo mesmo, é impossível amar ao próximo. A maturidade deste momento está na busca do respeito de dentro para fora e não a partir de uma ordem que determina o certo e o errado. A base é o respeito por si mesmo, o reconhecimento do ser único.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Amigo da alma

     Inevitável. Foi o que veio a minha mente ao atender a um telefonema que exigia uma certa atenção. E o mundo desabou.Todos os sentidos das palavras, diante de todas aquelas lágrimas de sangue que corriam do meu coração, desapareceram diante da grande saudade que senti e todos os momentos de alegria passaram instantaneamente por mim. Em que meu corpo se envolvia me deixando rolar por lentos passos. E me lembrei de quando estava eu, apresentada ao amor. Ao desligar, fingi que não passava de uma brincadeira de mau gosto. Não havia mais refúgio. Sempre me disseram que o tempo é a maior virtude da vida. E aprendi que cada um tem o seu, além de entender que o maior castigo para o ser humano, é a perda. Difícil mesmo, é ser vulnerável a aceitar. E estamos sujeitos a dor, à saudade. Diga-me? O que é a saudade agora? Sabe definir saudade? De que vale as lembranças? Agora, é apenas o que resta. E o contentamento está em pensar que existe sim um paraíso, onde talvez possamos nos reencontrar novamente. Ninguém poderia imaginar que algo assim pudesse acontecer, e talvez, possamos ser os próximos. De agora em diante, força será o alimento para o meu viver. E meus sorrisos só serão completos, quando eu sentir a nostalgia de reviver aqueles momentos. O motivo de não compreendermos esse ciclo, é a forma contrária como isso nos foi imposto. Não é assim que deve ser; assim julgamos. Sentimos a sensação de não poder voltar. Me dê a mão e caminhe sempre ao meu lado. Não se esqueça de como é importante na minha vida. Mas devo seguir? Volta pra casa. De que me adianta chorar agora? Sua tarefa foi realizada com sucesso. Porém, irreversível.



(Dedicado ao falecimento de pessoas queridas, com o sentimento em uma menina, Jadi). 

quarta-feira, 9 de março de 2011

Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo mundo é composto de mudanças,
Tomando sempre novas qualidades.


Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.